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decorei todas sardas do seu corpo
as pintas no ombro, formando uma meia lua, sua boca de coração
cílios claros e espessos, olhos de criança faminta emoldurados por sobrancelhas que de tudo sabem
os ossos pontudos das clavículas que me sugavam em abraços dolorosos
unhas roídas abotoadas em dedos longos, ah seus dedos, suas mãos ásperas
conhecia cada centímetro do teu corpo magro, alto
cada cicatriz de uma infância saudável, um corte no pescoço, minha arcada dentária em seu ombro
seu umbigo saltado, veia por veia do seu pau
coxas tão fortes, joelhos tão feridos, pés monstruosos
te redesenho mentalmente como um mapa decorado da fortaleza que criei em seu ti
que percorri repetidas vezes, conhecendo cada milímetro de cada esconderijo
mas nunca, nunca pude descobrir o que guardava

Ainda não me acostumei.