acordei toda entupida da sinusite e assoei amarelo. me desacostumei com o tempo de são paulo. mas também, quem é que se acostuma?
tem um tempo que parei de perceber o tempo e pra mim esse é o badalar do sino da depressão, que pesa três toneladas presas a uma corda, amarrada a nós navais em minha cintura, enquanto pulo num poço fundo gritando adeus.
nada de novo, mas ainda não perdi o medo. do sino, da corda, do tempo.
ainda no poço dei de reler os contos da lygia pela enésima vez, mesmo tendo parado dois livros muito bons antes da metade e mesmo tendo uma pilha enorme de gibis intocados pegando poeira em minha mesa.
é sempre assim (na tristeza) que vem a releitura dos meus confortos. (mesmo que os que eu encontre na lygia sejam muito espinhudos)
ainda com a cara entupida de manhã, minha mãe quis esperar uma agulha na ponta do meu nariz pra tratar da sinusite. recusei horrorizada. que tortura pavorosa deve ser uma agulha na ponta de um nariz (alérgico)
então ela espetou uma agulha em cada mão e senti choquinhos doídos percorrendo os nervos dos braços tentando avisar meu corpo onde é que precisa desentupir.
me irrita profundamente que neste poço eu só fale de doença.
e só sonhe com desgraça e só escreva porque não consigo dormir.